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Maria Bethânia, Iluminada

Juarez Fonseca: Novo disco de Maria Bethânia é forte e íntegro

Pode uma cantora com quase 70 anos de idade, às vésperas de completar 50 de palco, com cerca de 50 discos, estar no auge da carreira? Não conheço nenhuma na história da música brasileira senão Maria Bethânia. Aliás, não conheço nenhuma nem nenhum. Comparo com cinco gigantes: embora ainda tenham grande força criadora, Chico, Caetano, Gil, Milton e Paulinho já ultrapassaram seu auge. Pensei nisso ao ouvir o novo disco dela, Meus Quintais.

É muito forte e íntegro, letras sobre a vida natural, canções que parecem emergir do folclore, belos arranjos levados por grandes instrumentistas (Maurício Carrilho, Toninho Ferragutti, Luciana Rabello, Fábio Nin, o gaúcho Pedro Franco), dando até mais do que sua atuação normal de profissionalismo e competência, ligadíssimos na temperatura do todo. Na capa e no encarte, os detalhes também dizem, o candeeiro, os entalhes em madeira (feitos por ela), a escultura da indiazinha abraçando a onça, as flores, a cabeça centenária da mãe no ombro da filha.
Na contracapa, é a filha de Dona Canô que mostra seus próprios cabelos brancos emoldurando a face serena. Cada vez mais Bethânia vem valorizando a sabedoria, o essencial, e transmitindo isto com felicidade pessoal e artística. Tornou-se uma intérprete clássica porque única, acima de ocasiões e modernidades. E o disco? Da primeira faixa, Alguma Voz (Dori Caymmi/Paulo César Pinheiro), só ela e o mágico piano de André Mehmari, à penúltima, Folia de Reis (Roque Ferreira), Bethânia canta o Brasil de rios, matas, índios, caboclos, pescadores, luas, ventos, lendas, folias, em músicas atemporais de Paulo Vanzolini, Custódio Mesquita/David Nasser, Zé do Norte, Adriana Calcanhotto/Clarice Lispector e, em especial, o baiano Roque, que traduz de perto suas intenções. Entre valsa, samba, moda caipira, afro-samba, toada, anotei como curiosidade a melancólica Xavante, de Chico César, que mescla fado e milonga.

E a última? Aparece como faixa extra, uma surpresa, quase antítese, mas Bethânia mostra que não: Dindi, pura bossa nova, com Wagner Tiso e quarteto.

Meus quintais
Maria Bethânia
Biscoito Fino


22/07/2014 Publicada por Neide

  

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